terça-feira, 17 de março de 2009

CONSTRUIR-SE A SI MESMO

(continuação)

Que contributos podem dar as Teorias da personalidade, que temos vindo a descrever, na complexa tarefa do ser humano se descobrir a si próprio para chegar a ser ele mesmo?

Teorias humanistas - Esta teoria utilizou-se muito na praxis pastoral. Há elementos coincidentes nesta teoria e na teologia, como o conceito de aceitação, o valor e a dignidade da pessoa humana, a possibilidade de arrepender-se e de orientar a vida para fins mais altos. A terapia centrada no cliente de Carl Rogers consiste na reafirmação da atitude original cristã de aceitar o homem como ele é. A orientação de Carl Rogers é fundamentalmente anti-conflitual e optimista. Na pessoa há forças com orientação essencialmente construtiva e positiva. A pessoa está orientada para a auto-realização, para o desenvolvimento e para a maturidade. O objectivo da vida do homem é chegar a ser aquilo que cada um é verdadeiramente. O homem é bom. Esta teoria dá-nos uma visão optimista do homem e admite a existência de valores. Mas há que apontar alguns limites: é o homem que cria os seus valores e admite o que é bom e o que é mau. O homem é apresentado como auto-suficiente. Esta visão do homem implica um tipo de homem desiludido porque ao longo da sua vida, o homem vai ter que se enfrentar muitas vezes com a realidade das suas próprias limitações e com os condicionamentos do meio que o envolve. Além disto, e ao contrário do que possam afirmar, o homem não tem uma possibilidade praticamente ilimitada de mudar, nem pode desenvolver até à exaustão todas as suas possibilidades, não pode fazer tudo, há que fazer opções. Também numa perspectiva cristã sabemos que a auto-realização não pode ser considerada como o fim do homem. A teoria humanista admite uma auto-transcendência mas social e filantrópica: o homem abre-se aos outros, estima-os, mas falta uma auto-transcendência teocêntrica.

Ir.ª Fátima Semblano

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